A Europa Está sob Ataque
Ameaças de bomba nos aviões, supermercados sem frio em 9 países, Portugal incluído. Ninguém pediu resgate: o objetivo foi causar dano. É guerra híbrida, e a inteligência artificial dá-lhe escala e velocidade.
Espaço semanal de inteligência artificial na NOW, emitido a 6 de novembro de 2026 · 12 minutos · Ver no YouTube
«A Europa está sob ataque, isso ninguém tem dúvida.»
Guerra híbrida
Não é só a União Europeia: o Reino Unido, a Noruega, o continente inteiro. Os episódios da semana fazem parte da mesma lógica, a de provocar medo nas pessoas e prejuízo na economia real.
- A 3 de novembro, pelo menos 7 voos receberam ameaças de bomba, da Polónia a Espanha. Nenhum explosivo foi encontrado. A ameaça de bomba não é nova: já se viu nos anos 70 e 80. Serve para provocar medo.
- Na madrugada de 2 de novembro, os frigoríficos de supermercados em 9 países europeus aqueceram, comandados à distância. Em Portugal, 7 lojas Intermarché. Três semanas antes, em França, tinham sido cerca de 700. O alvo foram os controladores de refrigeração da dinamarquesa Danfoss.
- Não houve sequestro de dados nem pedido de resgate. O objetivo foi causar dano e perda.
- Não há prova de que tenha sido usada inteligência artificial, mas a escala, o automatismo e a velocidade apontam nesse sentido. Rastrear a origem é difícil: os ataques passam por servidores em vários países e apagam o rasto.
Wall Street e a bolha da inteligência artificial
Depois das eleições intercalares americanas, as bolsas corrigiram e voltou o receio de que a bolha da inteligência artificial esteja no limite.
- Os centros de dados gastam muita energia e muita água, com consequências diretas para as populações. No Texas, o preço da energia tornou-se tema de campanha.
- Os democratas prometeram travar novos centros de dados e legislar para um uso mais racional da energia. O Canadá aponta outro caminho: cada centro de dados com a sua própria produção de energia.
- A dúvida de fundo é se as empresas vão gerar dinheiro suficiente para pagar os juros e amortizar a dívida que contraíram. É o retrato de uma bolha clássica: quando toda a gente fala em comprar, os corretores dizem que é altura de vender.
Uma voz que está sempre lá
A inteligência artificial nasceu para nos ajudar a trabalhar. Tornou-se, para muitos, a voz que faz companhia.
- A Organização Mundial da Saúde estima que 1 em cada 6 pessoas no mundo sente solidão. Sentir-se só não é o mesmo que estar só.
- Em Portugal, 1 em cada 4 crianças e jovens dos 9 aos 17 anos usa a inteligência artificial para apoio emocional ou pessoal. A média europeia é 15%.
- Num país que se diz aberto e comunicativo, a pergunta é porquê. E que conselhos estão a receber, e para onde vai o que contam.
- A regulação europeia já está a par da chinesa, a mais estrita contra máquinas que imitam pessoas. O problema continua a ser pô-la em prática.
Todas as sextas-feiras,
às 14h30, na NOW.
Miguel Sousa Soares é economista e analista de geoeconomia e inteligência artificial, com mais de vinte anos de experiência em estratégia e corporate finance. Escreve na Visão, no Expresso, no Jornal de Notícias e no Correio da Manhã e comenta inteligência artificial na NOW, às sextas-feiras.