Atacar Passou a Ser Mais Barato do que Defender
Um drone custa milhares de euros. O míssil que o abate custa milhões. No mundo digital, a inteligência artificial está a fazer a mesma conta: atacar ficou barato, defender continua caro.
Espaço semanal de inteligência artificial na NOW, emitido a 30 de outubro de 2026 · 13 minutos · Ver no YouTube
«Um deepfake promocional é um perigo.»
A nova economia dos ciberataques
Uma falha no PHP, o motor que faz funcionar 7 em cada 10 sites, levou governos de vários países a desligar serviços por precaução. A falha não era nova. O que mudou foi a velocidade a que a inteligência artificial a tornou perigosa.
- A falha foi assinalada numa auditoria em 2024 e ficou à espera de decisão: corrigir também tem riscos, de indisponibilidade e de incompatibilidades. Em 2026, com a ajuda da inteligência artificial, provou-se que era explorável.
- Países Baixos, França, Japão e Portugal suspenderam serviços públicos por precaução. Em Portugal, o Centro Nacional de Cibersegurança emitiu instruções e várias entidades públicas desligaram temporariamente os seus sites. Não há intrusões conhecidas no país.
- A Amazon viu tentativas de ataque 4 dias antes do anúncio oficial. E a fundação que cuida deste motor de meia internet tem 1 funcionária a tempo inteiro e 14 prestadores.
- A assimetria é a mesma da guerra dos drones: um drone Shahed custa até 45 mil euros; o míssil Patriot que o abate, cerca de 3,6 milhões. Atacar é explorar uma porta aberta. Defender é descobrir, verificar e corrigir sem abrir outra.
Quem informa o eleitor?
A poucos dias das eleições intercalares nos Estados Unidos, cada vez mais pessoas perguntam a um chatbot em quem votar ou o que defende cada candidato.
- Num teste do Washington Post a 6 chatbots, quase metade dos guias eleitorais saiu incompleta ou errada. Um deles pôs no boletim uma eleição para o Senado que não existe.
- Podemos ter sistemas de votação seguros e, ao mesmo tempo, informação pouco fiável a influenciar a decisão de quem vota.
- O risco maior é o deepfake promocional: alinha a postura, as microexpressões e a mensagem do candidato, e pode convencer mais do que o próprio candidato, quando este hesita.
Todas as sextas-feiras,
às 14h30, na NOW.
Miguel Sousa Soares é economista e analista de geoeconomia e inteligência artificial, com mais de vinte anos de experiência em estratégia e corporate finance. Escreve na Visão, no Expresso, no Jornal de Notícias e no Correio da Manhã e comenta inteligência artificial na NOW, às sextas-feiras.