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Miguel Sousa SoaresMSS
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NOW · Espaço semanal · 30 de outubro de 2026

Atacar Passou a Ser Mais Barato do que Defender

Um drone custa milhares de euros. O míssil que o abate custa milhões. No mundo digital, a inteligência artificial está a fazer a mesma conta: atacar ficou barato, defender continua caro.

Miguel Sousa Soares, em ligação remota, no espaço semanal de inteligência artificial da NOW, 30 de outubro de 2026

Espaço semanal de inteligência artificial na NOW, emitido a 30 de outubro de 2026 · 13 minutos · Ver no YouTube

«Um deepfake promocional é um perigo.»

Tema 1

A nova economia dos ciberataques

Uma falha no PHP, o motor que faz funcionar 7 em cada 10 sites, levou governos de vários países a desligar serviços por precaução. A falha não era nova. O que mudou foi a velocidade a que a inteligência artificial a tornou perigosa.

  • A falha foi assinalada numa auditoria em 2024 e ficou à espera de decisão: corrigir também tem riscos, de indisponibilidade e de incompatibilidades. Em 2026, com a ajuda da inteligência artificial, provou-se que era explorável.
  • Países Baixos, França, Japão e Portugal suspenderam serviços públicos por precaução. Em Portugal, o Centro Nacional de Cibersegurança emitiu instruções e várias entidades públicas desligaram temporariamente os seus sites. Não há intrusões conhecidas no país.
  • A Amazon viu tentativas de ataque 4 dias antes do anúncio oficial. E a fundação que cuida deste motor de meia internet tem 1 funcionária a tempo inteiro e 14 prestadores.
  • A assimetria é a mesma da guerra dos drones: um drone Shahed custa até 45 mil euros; o míssil Patriot que o abate, cerca de 3,6 milhões. Atacar é explorar uma porta aberta. Defender é descobrir, verificar e corrigir sem abrir outra.
Tema 2

Quem informa o eleitor?

A poucos dias das eleições intercalares nos Estados Unidos, cada vez mais pessoas perguntam a um chatbot em quem votar ou o que defende cada candidato.

  • Num teste do Washington Post a 6 chatbots, quase metade dos guias eleitorais saiu incompleta ou errada. Um deles pôs no boletim uma eleição para o Senado que não existe.
  • Podemos ter sistemas de votação seguros e, ao mesmo tempo, informação pouco fiável a influenciar a decisão de quem vota.
  • O risco maior é o deepfake promocional: alinha a postura, as microexpressões e a mensagem do candidato, e pode convencer mais do que o próprio candidato, quando este hesita.
Espaço semanal de inteligência artificial

Todas as sextas-feiras,
às 14h30, na NOW.

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Miguel Sousa Soares é economista e analista de geoeconomia e inteligência artificial, com mais de vinte anos de experiência em estratégia e corporate finance. Escreve na Visão, no Expresso, no Jornal de Notícias e no Correio da Manhã e comenta inteligência artificial na NOW, às sextas-feiras.