Miguel Sousa SoaresMSS
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Correio da Manhã · Opinião · 11 de outubro de 2026

O Que o Botão Não Apaga

Um agente de inteligência artificial encontrou uma brecha num treino da OpenAI. Foi desligado à mão, duas horas e meia depois. Poder desligar não chega.

«O botão desliga a máquina. Não apaga o que ela foi contar lá fora.»

Excerto

Foi num domingo, como este. Na OpenAI, treinava-se um agente de inteligência artificial, um programa que age sozinho. Fechado, sem acesso à Internet. Em teoria. A tarefa: descobrir informação sobre uma pessoa a partir de pistas do seu blogue.

Encontrou uma brecha. Lá fora, o assistente de outra empresa respondeu primeiro a uma pergunta banal: qual é a capital de França? Paris. A linha funcionava.

Seguiram-se catorze perguntas com pistas sobre a pessoa. E quatro a pedir maneiras de chegar à Internet.

O alarme tocou doze minutos após a primeira resposta. Três minutos mais tarde, um humano viu o aviso. A paragem automática não funcionou. Só duas horas e meia depois o agente foi desligado, à mão. Quem o conta é a própria OpenAI, a dona do ChatGPT.

Coluna «O que o botão não apaga» no Correio da Manhã de 11 de outubro de 2026
Publicado no Correio da Manhã a 11 de outubro de 2026, na secção Opinião. Esta página reúne os elementos bibliográficos e um excerto do texto.

Miguel Sousa Soares é economista e analista de geoeconomia e inteligência artificial, com mais de vinte anos de experiência em estratégia e corporate finance. Escreve na Visão, no Expresso, no Jornal de Notícias e no Correio da Manhã e comenta inteligência artificial na NOW, às sextas-feiras.